Século XXI, Uma Inumação ao Conceito De Empregabilidade
O homem desde os seus primórdios tem exercido o uso de técnicas e habilidades, a fim de produzir artifícios que o possibilitasse atender às aspirações e necessidades próprias. A caça, a pesca, a composição de indumentária, a edificação de moradias são exemplos que evidenciam a força de trabalho presente desde a construção da história humana. E encontra-se visível, seja em grandes obras arquitetônicas como as pirâmides do Egito, seja na confecção de pequenos instrumentos artesanais. A Revolução Industrial, ocorrida na Europa durante o século XVIII, é o advento primordial para que consigamos entender o motivo das alterações que o mercado tem vivido nos últimos anos, visto que marca o surgimento da venda da força de trabalho, da divisão de serviços, da implantação de salários, conseqüentemente, o aparecimento do conceito de qualificação, e a adoção de máquinas à produção.
A terceira fase da Revolução Industrial foi denominada “Revolução Científica e Tecnológica”, caracterizada pelos avanços na informática, robótica e micro-tecnologia. A partir dessa etapa, é possível perceber a transformação ocorrida na estrutura do mercado mundial. O acesso universal aos PC’s (Personal Computers) ocasionou a formação do Ciberespaço, que dispõe de um ambiente na internet, onde pessoas de todo o mundo estariam tecnicamente ligadas umas as outras, interagindo entre si sob diversas circunstâncias, e que ao contrário do que muitos possam vir a pensar, esse cenário está longe de parecer uma esfera integradora, em que todos se encontram uniformemente unidos sem nenhuma razão viável para estarem inclusos nessa situação. O Ciberespaço assim como a globalização, contribuiu para larguear ainda mais o precipício que existia entre os membros da sociedade. Empresas seriamente comprometidas com a idéia de que “O mundo é online” contratam funcionários de diversos lugares do planeta para trabalharem através de uma conexão feita por aparelhos eletrônicos,e que às vezes sequer sabem quem está do “outro lado da linha”. Assim como afirma o Chefe e Vice Presidente Pesquisador do Instituto de Ciências Sol, Jonh Gage: “Cada qual pode trabalhar conosco quanto tempo quiser, também não precisamos de visto para nosso pessoal do exterior (…) Empregamos nosso pessoal por computador,eles trabalham no computador e também são demitidos por computador”. Surge então um novo conceito de emprego, uma nova postura de profissional que necessita ser tão flexível e instável quanto à dinamicidade do mercado.
Preconceitos e polêmicas ainda giram em torno da má apreensão dessa nova estrutura capitalista. O conceito de Desemprego Estrutural (desemprego que resulta das novas formas de organização do trabalho e de produção) tem sido distorcido, tanto quanto a tecnologia e as suas inovações têm sido vistas como as grandes vilãs, e por décadas e décadas foram julgadas e culpadas pela falta de ofício. O que se caracteriza como uma inverdade, pois a tecnologia é o que o homem determina que ela seja, poderia ser empregada a favor do trabalhador auxiliando-o, complementando-o, ao invés de representar uma “ameaça monstruosa” à sociedade, assim como pregam alguns veículos de comunicação utilizando-se da “velha” Teoria do Capital Humano (essa afirma que o investimento em educação gera o aumento da produtividade e conseqüentemente acresce a renda pessoal). Todo esse esforço, feito para que a sociedade acreditasse que a falta de emprego está diretamente ligada à ausência de discernimento, omitindo o fato catastrófico de que a fantasia infantil: “Vou crescer e ter um emprego” esfacelou-se.
Uma pesquisa realizada em 2003 pelo IBGE (Índice Brasileiro de Geografia Estatística) aponta que a taxa de participação dos jovens na força de trabalho diminuiu no mundo cerca de quatro pontos percentuais na última década, e que tal comportamento pode ser explicado pelo fato dos jovens permanecerem mais tempo na escola. Passar maior tempo na escola não qualifica um problema, mas tornar a educação primordial apenas por acreditar que através dela, o indivíduo possui maiores chances de ascender na escala social, essa sim é a grande deficiência.
E quanto à inumação ao conceito de empregabilidade?Como fazê-lo se sequer é possível encontrá-lo em algum lugar deste planeta “Terratech”, tão ultrapassado que lhe foi imposta a isenção de significado. Ou melhor,a extinção? .